Nº 02 - Ferramentas da improvisação - Parte I
 
     
 

Desde os temposdo barroco, a improvisaçãoacontece sob forma de ornamentação (do enfeite), termo este usado nas composiçõesde Bach e seus contemporâneos. Estasvariações ou embelezamentos são tecidas, usadas ou praticadas em todos os tipos de melodias, fundamentadas sempre em uma estrutura harmônica.

No jazz, os principios se manifestaram da mesma forma. Baseando-se em uma sequência harmônica, os músicos improvisaram da mesma maneira com Bach ornamentava uma Chacona ou uma Ária. No início do século XX alguns jazzman´s (homens do jazz) como Louis Armstrong, Jelly Roll Morton, Benny Goodman, Duke Ellington, entre outros, tornaram a iprovisação mais presente no contexto dessa linguagem.

Tratava-se muito mais do que, simplesmente, ornamentar uma melodia. Explico: "Eles" passarama recompor, variar, interpretar e, como resultado, acabaram criando, muitas vezes umanova melodia em cima do tema proposto.

Na estrutura da composição do jazz, é comum encontrarmos a forma canção AABA' (A' é a parte A do início da peça, porém com variações), que é a maneira como uma composição é dividida. A estrutura da forma Canção tem em média 32 compassos, que podem estar divididos em oito (8) compassos para cada parte assim distribuída: A com oito compassos (ou re-exposição de A), B com oito compassos e A' com os mesmos oito de A original, mas como anteriormente dito, varando em relação ao primeiro de A.

No Jazz essa forma esta forma é chamada de Chorus, termo que tem o mesmo significado da forma AABA' da música erudita, sendo que no Jazz, é improvisada uma ou mais vezes apósa exposição do tema principal (a melodia da música propriamente dita).

A quantidade de Chorus, ou retornos para as partes AAB ou A' , podem ser determinados ou não pelo grupo, dependendo do nível técnico e o número de idéias, assuntos ou motivos que o solista tem como parte integrante de sua formação musical. Assim, poderá discorrer de tais elementos durante sua improvisação.

O Chorus é livre e se prende apenas ao esquema harmônico da melodia (cadência e acordes colocados na forma AABA')

 

As cadências do Jazz

Dentro da forma canção do Jazz, encontramos uma sequencia de acordes que, se combinados, são conhecidos como cadência (padrões harmõnicos). A mais utilizada é II V I (movimento, tensão e repouso).

No exemplo abaixo, veremos no tema "Take a Train", de Duke Ellington, como este padrão harmônico é citado.

 
     
 
 
     
 

Quando estudamos o movimeno do Jazz, não podemos esquecer da grande evolucão estilística, cuja contribuição devemos aos grandes jazzman´s. Estes músicos marcaram época e fizeram escola em suas carreiras. E, quando nos referimos a palavra escola, estamos citando, literalmente, um esquema acadêmico principiados por estes músicos que , apenas tocando, passarama condiçao de "mestres" das gerações que viriam mais tarde.

Neste número destacaremos o movimento Be-Bop, Bop ou Rebop que contribui de maneira significativa para o avanço e desenvolvimento do Jazz. Sua expressvidade não só era percebida na incrível rapidez eflexibilidade do fraseado, mas pela constante presença do intervalo da quinta diminuta (ou quarta aumentada), que colaborou para uma nova fase da música tonal, o Politonalismo, usado por Igor Stranvinski e Jean Sibélius na música de concerto.

O Saxofonista (alto) Charlie Parker e o trompetista Dizzy Gilespie, influenciadospela obra de Stranvinski, introduziram o conceito politonalno Jazz, batizando o movimento com o nome de Bebop; um movimento de fraseado remodelado para a música de Jazz que atingiu o ápice entre 1938-1954, mas que perdura até os dias de hoje.

Além da cadência II V I, também passaram a ser aplicadas como harmonia as cadências I, VI, II, V, I e III, VI, II, V, I. A fase do Politonalismo (superposição de dois ou mais tons), foi fundamentada no cruzamento da escala relativa menor melódicas ou da anti-relativa menor melódica, sobrepondo o quinto em conjunto com a escala maior, que é a base da armadura de tonalidade, gerando as escalas Bop. Lembre-se: Os solos sempre se fundamentam sobre os "estágios" de movimento, tensão e repouso.

A seguir, veremos na tonalidade de C (Dó maior) o quinto grau G7 (Sol maior com sétima menor) sendo sobreposto ao seu relativo menor melódico Em (Mi menor), que gerou a escala Bop Dominante.

 
     
 
 
     
 
O mesmo acontece com sua esala anti-relativa menor melódica Bm (Si menor), sobrepondo G7 (Solmaior com sétima menor). O cruzamento do relativo e anti-relativo gerou a escala Bop Alterada
 
     
 
 
     
 
A aplicação do Pontualismo abriu novos horizontes no mundo da arte, mas, a princípio, a idéia de tocar música sobrepondo escalas espantou o ouvinte. Passado o "temor" do primeiro momento, entenderam que novas "camadas" sonoras estavam ali para serem apreciadase exploradas (isto em termos de apreciação musical).